Falta de vitamina B7 pode deixar pele do cão seca e pelos quebradiços

Luiz Antonio Santos, Editor

Na nutrição dos cães e dos gatos não deve faltar a vitamina B7, que faz parte do complexo B e também pode aparecer em rótulos de rações e suplementos como biotina ou, ainda, vitamina H.

As vitaminas (todas) são responsáveis pela quebra de gorduras e carboidratos dos alimentos e, ainda, transportam nutrientes para as células. A biotina, além de fazer parte desse processo, têm funções específicas para a saúde da pele e pelagem de nossos pets.

Nos EUA, um grupo de 119 cães, todos com algum acometimento de pele, foram tratados com biotina durante um período. Na data do registro para o estudo, todos apresentavam pelo menos um dos sintomas abaixo:

 – pelagem quebradiça

– queda de pelo

– pele escamosa

– prurido

– dermatites

Ao final do estudo, com a suplementação com biotina, 60% dos cães não apresentaram nenhum dos acometimentos citados e 31% apresentaram redução de, pelo menos, 50% dos sintomas.

Como concluir se falta biotina na dieta do seu cão?

Como outros fatores, que não nutricionais, também podem causar os sintomas abaixo, não se deve concluir que qualquer um deles seja por deficiência da quantidade ou falta de biotina. O médico veterinário especializado em dermatologia ou nutrição poderão oferecer um laudo conclusivo. Contudo, a ausência dessa vitamina causa, com frequência:

– escamação da pele

– lesões cutâneas

– pelos opacos

– aparência de pelos desalinhados

– letargia

– alopecia (perda de pelos)

– diarreias

– falta de apetite

Quantidade sugerida

São, em tese, 0,002 mg por kg de peso do animal a necessidade de biotina na alimentação diária do cão.

A biotina é solúvel em água. Isso significa que é facilmente eliminado do corpo através da urina.

As rações industrializadas deveriam trazer biotina em suas formulações e em quantidades compatíveis.

Se você oferece alimentação caseira preparada, os ingredientes mais ricos em biotina, que normalmente podem ser oferecidos aos cães, são ovos, fígado bovino, carne bovina, couve flor, vegetais de coloração verde escura e sardinha.

A biotina também é encontrada como parte de suplementos vitamínicos.

Receba o levantamento de rações e quantidade de biotina

O BlogDog.Com.Br está preparando uma lista com as rações industrializadas disponíveis no Brasil (categorias Premium Especial e Super Premium) com a informação sobre adição de biotina e quantidades.

Você poderá receber o resultado desse levantamento e conferir se a ração oferecida atualmente ao seu cão traz um nível satisfatório de biotina.

Como obter um exemplar digital da pesquisa:

  • Vá para a página do DogBlog http://dogblog.com.br/contato/
  • Preencha os dados básicos, coloque no assunto PESQUISA BIOTINA
  • Confira se inseriu corretamente seu endereço eletrônico

Disponibilizaremos um exemplar digital até 12/02/2019.

Peça já e aguarde até a data máxima de envio.

Gatos magros podem viver menos que os fofinhos

Um grupo de seis pesquisadores da Universidade de Sidney (Austrália) finalizou, em 2018, um estudo que investigou a possível associação entre condição corporal e tempo de vida de gatos.

Usando uma escala comum para se avaliar condição corporal, conhecida como Escala de 9 Pontos, os pesquisadores registraram 2.609 gatos, coletaram informações sobre seus estilos de vida, relataram suas doenças e os pesaram pelo menos 2 vezes em um período de 10 anos.

Quando os gatos foram iniciados na pesquisa, a idade média do grupo era de 5,4 anos e a escala de score corporal apontava para a maior parte dos gatos com 5, 6 ou 7 (em uma escala onde 9 é considerado obeso e 1 é considerado desnutrido). Os cientistas informam que excluíram registros de gatos com score corporal 1, 2 e 9, que representam os extremos.

Tempo de Vida

A média de vida dos gatos participantes do estudo foi de 15,8 anos.

Com base no sistema de pontuação de 9 pontos, os gatos com valores variando de 6 a 8 tiveram maior longevidade que os gatos com valores mais baixos. O estudo sugere que, embora a obesidade estivesse associada ao desenvolvimento de certas doenças crônicas, ela não prejudicou a expectativa de vida média. Além disso, os gatos magros com valores de 3, 4 ou 5 tiveram sobrevivência reduzida, talvez devido à aquisição de doenças associadas à perda de peso.

Em geral, o tempo de vida foi mais curto para os gatos diagnosticados com neoplasia ou diabetes mellitus. Curiosamente, os gatos que foram diagnosticados com hipertensão ou condições doenças musculoesqueléticas, orais ou do trato urinário superior tiveram maior expectativa de vida média em comparação com gatos sem essas condições.

Estudo e autores

Título do estudo: Strong associations of nine-point body condition scoring with survival and lifespan in cats

Autores (todos da Escola de Ciências Veterinárias de Sidney – Austrália):  Teng, K. T., McGreevy, P. D., LML Toribio, J.-A., Raubenheimer, D., Kendall, K., & Dhand, N. K.

Resumo do Estudo: https://doi.org/10.1177/1098612X17752198

Maconha para cães? Você sabia que já são comercializados suplementos para articulações de cães com semente de cânhamo (“machonha”) nos EUA?

Luiz Antonio Santos, Editor

Pelo menos uma marca de suplemento para melhorar dores e fortalecer articulações de cães nos EUA declara usar semente de cânhamo orgânico, que vem a ser “maconha” cultivada legalmente para fins medicinais.

Ruff Hero é a marca do produto, comercializado legalmente em território norte americano, com o objetivo de suportar articulações ou atuar como alívio aos sintomas de artrites em cães.

Sua composição traz ingredientes já conhecidos e usados para essa finalidade como: condroitina e glucosamina e uma série de funcionais reconhecidos como antioxidantes e auxiliares antiinflamatórios (açafrão, pimenta, linhaça e semente de girassol). Já a curiosa inclusão de semente de cânhamo é da ordem de 100 mg.

O laboratório fabricante alega que a semente de cânhamo é rica em proteína, ômega 6 e vitaminas E, B3 e Cálcio.

Um pote com 120 tabletes mastigáveis (na composição há pasta de carne, o que pode tornar o tablete atrativo para os cães) sai por cerca de R$ 115,00 mais frete.

O laboratório fabricante anuncia os supostos benefícios da composição mas não indica nenhuma bibliografia científica que apoie essa inclusão do ‘parente da maconha’ no suplemento.

O produto não tem autorização para ser vendido no brasil.
informações do fabricante: www.ruffhero.com

Ração com farinha de insetos começa a ser vendida no Reino Unido

Luiz Antonio dos Santos, Editor

Com o argumento central de sustentabilidade ambiental, redução da emissão de carbono e garantia de alimentação para as próximas gerações, uma pequena empresa do Reino Unido, a Yora, começou o ano de 2019 oferecendo uma ração para cães cuja fonte de proteína é 100% farinha de insetos (larvas) criadas especificamente para alimentação.

A aparência das partículas da ração em nada difere das que conhecemos e sua formulação, com adição de vitaminas, minerais e ingredientes funcionais segue a linha de todos os outros alimentos industrializados para cães e gatos, exceto a proteína que, ao invés do uso de farinhas de vísceras, farinha de carne, farinha de aves, milho, soja, sorgo ou carne mecanicamente separada, usa uma farinha que é resultado do aquecimento lento de larvas e posterior moagem.

Farinha da larva Hermetia Illucens, criada para fins de alimentação

Fabricante alega que proteína de insetos seria hipoalergênica

A direção da Yora alega que a farinha da larva Hermetia Illucens é rica em proteína hipoalergênica, uma vez que os cães não teriam tido contato ainda com essa fonte.

Sobre as vantagens ambientais que a farinha de insetos teria sobre as proteínas de origem bovina ou de aves, a Yora apresenta estatística de que uma criação de insetos usaria 2% da terra e 4% de água do que um confinamento bovino.

Preço ao consumidor

Para efeito de comparação, um pacote de 14 kg de Proplan (Purina) sai nas lojas do Reino Unido por cerca de R$ 240,00.

Um pacote com 12 kg da ração Yora é vendida, no Reino Unido, por cerca de 90 libras, ou seja, R$ 429,00.

E você, aceitaria oferecer uma ração com proteína de insetos para seu cão?

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Tudo o que uma boa ração para cães seniores deve ter

Luiz Antonio, Editor

Comprovadamente, a longevidade dos cães vem aumentando nas últimas três décadas, principalmente devido aos avanços e disponibilidade de serviços de prevenção e tratamento na área da saúde e à nutrição, com evoluções tanto em estudos quanto em conscientização dos tutores.

Um cão é considerado Senior a partir dos 7 anos para raças grandes (acima de 20 kg) e a partir dos 8 anos para raças pequenas e médias (até 19 kg). Mal comparado à cronologia humana, eles deveriam ter cuidados especiais de nutrição e saúde a partir do equivalente aos 50 anos de idade. O conceito de necessidade de uma nutrição diferenciada para o cão a partir dessas idades vem se tornando mais massificado nos grandes centros.

O Dogblog.com.br traz uma lista com os nutrientes e quantidades que as rações para cães seniores deveriam trazer.

1-  PROTEÍNAS

  • entre 25% e 27% de proteína por kg
  • fontes: frango, ovo desidratado, suíno, salmão, cordeiro ou vísceras

Dica: evite rações para cães seniores que contenham milho e/ou soja. Podem ser potenciais desencadeadores de alergias dermatológicas, além de serem proteínas de menor digestibilidade quanto comparada as de origem animal citadas acima.

2- GORDURAS

  • procure uma ração com gorduras (na embalagem essa informação aparece como ‘Extrato Etéreo’) não superiores a 12%. Quanto mais alta a quantidade de gordura, a atratividade aumenta, mas o cão tende a comer mais do que precisa.

3- Ômega 3

Dica: rejeite as rações de alto preço para cães seniores e cuja fonte de ômega 3 seja semente de linhaça. Esse grão é rico em ômega 3, porém não nos ácidos graxos EPA e DHA, que são os mais importantes para a saúde dermatológica, cardíaca e cognitiva dos nossos pets. A fonte ideal é óleo de peixe de águas frias (salmão ou arenque)ou sardinha. No mercado brasileiro temos o genérico “óleo de peixe”, que pode não trazer as quantidades ideais de EPA e DHA, mas são melhores do que a semente de linhaça.

  • mínimo de 5.500 mg de ômega 3 de óleo de salmão, arenque ou sardinha (por kg de ração)
  • ácidos graxos EPA – mínimo de 2.750 mg e DHA – mínimo de 2.750 mg (por kg de ração)

4- ômega 6

  • mínimo de 20 g por kg de ração
  • fontes: óleo de frango ou de suíno. Evite óleo de soja ou lecitina de soja como fontes de ômega 6

5- Sódio

  • máximo de 2.000 mg por kg de ração

6- Proteção das articulações

  • mínimo de 300 mg de condroitina
  • mínimo de 400 mg de glicosamina

Dica: quando há uma combinação de ômega 3 com condroitina e glicosamina, o efeito de proteção das articulações é mais efetivo.

7- Combate aos radicais livres

As moléculas liberadas pelas células do organismo, ao trabalharem para a obtenção de energia, podem se associar a outras moléculas de carga positiva, promovendo a oxidação com consequente dano às células
saudáveis. São os chamados radicais livres.

Os alimentos completos (ração) para cães devem fornecer quantidades significativas de vitaminas A, C e E, além de Selênio e Zinco:

  • Vitamina A – em torno de 15.000 UI
  • Vitamina C – entre 160 mg e 200 mg
  • Vitamina E – ideal: 600 UI
  • Selênio – entre 0,40 mg e 0,50 mg
  • Zinco – entre 150 mg e 160 mg

 

 

Identifique se a ração do seu pet traz os polêmicos conservantes artificiais

Luiz Antonio, Editor

Um dos ingredientes mais polêmicos e que tem afastado alguns tutores de cães e gatos das rações industrializadas é o conservante ou antioxidante.

Os conservantes são usados ​​em alimentos para animais de estimação com as funções de bloquear o crescimento de bactérias, fungos ou leveduras e de retardar a oxidação de gorduras, o que tornaria o alimento rançoso.

Tanto os conservantes quanto os antioxidantes podem vir de fontes naturais (como vitaminas C,  E e óleo de alecrim) ou serem criados artificialmente como são os casos dos mais usados: BHA, BHT, Etoxiquim. Há toda uma série de preocupações sobre seus efeitos sobre a saúde.

BHA e BHT e sua relação com aparecimento de tumores

O BHA (hidroxianisol butilado) e o BHT (hidroxitolueno butilado) estão entre os antioxidantes artificiais mais comuns utilizados em rações.

De 1993, um estudo da Universidade de Hamburgo concluiu que as publicações até então consultadas concordavam que BHA e BHT seriam “promotores de tumores”. Este trabalho, em alemão, está traduzido para o inglês e pode ser lido em https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/8493816.

Já o Departamento de Saúde e Estudos Humanos dos EUA divulgou  que o BHA produz consistentemente tumores em ratos e peixes, além de carregar também a culpa de causar um déficit  na aprendizagem.

Apesar de dos estudos, ambos antioxidantes são atualmente permitidos em alimentos para animais de estimação e alimentos para humanos no Brasil, EUA e alguns países da Europa.

Como saber se a ração que você oferece para seu pet tem esses conservantes artificiais

Dica: tente identificar no campo de informações Composição ou Ingredientes ou, ainda, em Enriquecimento. A legislação brasileira obriga essa divulgação mas, algumas vezes, ela aparece de forma muito discreta, no meio de muitas outras informações. Localize, primeiramente as siglas BHA, BHT ou Etoxiquim.

As opções aos conservantes artificiais que as algumas indústrias brasileiras têm usado são as vitaminas C, E, o extrato de alecrim e chás verdes.

Algumas rações brasileiras que declaram conservantes “naturais” ou (mais apropriadamente) não artificiais:

Chronos Pet

N&D

Biofresh

Natural

Fórmula Natural

 

FDA estuda ligação entre dietas com rações ‘grain free’ e doença cardíaca em cães

Luiz Antonio Santos, Editor

O FDA – Food and Drug Administration, agência executiva federal de saúde dos Estados Unidos, está conduzindo investigação sobre a ligação entre o aumento do número de cães diagnosticados com miocardiopatia dilatada e as dietas livres de grãos e com alta inclusão de lentilhas, ervilhas, legumes e batatas.

A entidade informou, no segundo semestre de 2018, que está em fase de investigação dessa relação e, inclusive, abriu um canal de comunicação para que tutores e médicos veterinários do Estados Unidos relatem casos de incidência da doença cardíaca e informem a dieta que vem sendo administrada ao animal.

Estudiosos do FDA justificam o alerta pelo grau acentuado de cães com miocardiopatia dilata, quando o músculo cardíaco perde poder para bombear satisfatoriamente sangue para as partes do corpo e, com isso, aumenta de tamanho. Segundo a agência, um traço comum une os casos mais recentes de diagnóstico: a maior parte dos cães recebe uma dieta composta por rações ‘grain free’ e com generosas porções de batatas, ervilhas e lentilhas.

Embora a prevalência dos diagnósticos seja de cães de porte grande, como Cocker Spaniel, Golden Retriever, Labrador, Setter e São Bernardo, o FDA salienta os relatos recentes da doença em Schanuzer miniatura e Shi Tzu.

dog blog mostra ervilha como possível causadora de miocardiopatia dilatada em cães

Taurina

Uma suspeita, ainda não completamente estudada, aponta para uma menor presença do aminoácido não essencial taurina nessas dietas, bem como de seus precursores metionina e cistina, a partir das quais os cães realizam a síntese. Ervilhas, batatas e lentilhas poderiam estar privando os cães da produção da taurina.

As funções da taurina são fortalecer a musculatura cardíaca, facilitar a excreção de substâncias não mais úteis para o organismo e inibir neurotransmissores em estados cerebrais de convulsão.

 

Como identificar sinais de miocardiopatia dilatada

Letargia, tosse persistente, dificuldade de respirar, fraqueza e falta de apetite. A progressão dessa situação sem tratamento pode levar à insuficiência cardíaca congestiva.

 

Sem pânico!

Como o FDA alertou mas não apresentou conclusão, a própria entidade bem como profissionais da área recomendam que revisem as dietas de seus cães, caso sejam baseadas em rações e estilo ‘grain free’ e com alta inclusão de vegetais, junto a veterinários especializado.

A oferta de carnes como fígado, cortes bovinos e pescados é recomenda como fonte de proteína para os cães, substituindo o excesso de vegetais para essa finalidade.

Lisa M. Freemna, Ph,D da Tufts University (universidade privada de pesquisa em Massachusetts) fala sobre a falta de informações conclusivas para essa relação: “São ingredientes de grande desafio para se trabalhar. Nós ainda não sabemos se é uma deficiência de taurina ou a biodisponibilidade ou, ainda, a toxicidade.”

Mais informações

https://bit.ly/2DGD4Bs

dog blog com cão apático

Entenda a embalagem de ração do seu pet

Luiz Antonio Santos, Editor

A indústria de ração para cachorros e gatos representa, globalmente, mais de 60% das receitas do segmento Pet. Sendo a categoria mais disputadas, é natural que a batalha por novos consumidores e pelo convencimento de seus tutores seja árdua, complicada e, muitas vezes, com o uso de argumentos não verdadeiros ou que induzem a um pensamento errado.

consumidor de ração para cães
Checar a lista de enriquecimento: um hábito a se adotar

Esta série de posts Entenda a Embalagem de Ração do seu Pet vai mostrar quais as armadilhas que as indústrias usam, algumas vezes, para levar o tutor a conclusões equivocadas, mesmo com a intenção de oferecer o melhor para seus queridos pets.

O primeiro post é sobre algo muito importante a ser verificado nas embalagens de ração: a informação denominada Enriquecimento.

Ração tem que trazer informação sobre enriquecimento

A declaração do enriquecimento de uma ração para cães ou gatos é obrigatória no Brasil, tanto para alimentos fabricados localmente quanto para os importados. É nesse bloco de informação obrigatória, conforme a Instrução IN 30 do MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que devem constar as vitaminas, os minerais e outros ingredientes funcionais presentes no produto, bem como a quantidade por quilo.

A quantidade de vitaminas e minerais é adequada?

Bem, uma vez que os ingredientes estão descritos e suas quantidades por quilo explicitadas, a pergunta para quem quer o melhor para seus queridos pets é: Todas as vitaminas e minerais que meu animal precisa estão presentes e em quantidades que atendam as suas necessidades?

A necessidade nutricional de um cão ou de um gato é estabelecida, principalmente, por dois órgãos internacionais de ciência: o NRC – National Research Council http://www.nationalacademies.org/nasem/e a AAFCO – Association of American Feed Control Officials https://www.aafco.org/

Fique sempre atento (a) às quantidades de ingredientes mais caros da formulação como são os casos da vitaminas E, B1, B3, B6 e os minerais Manganês e Selênio. Há indústrias que adicionam quantidades mínimas, somente para constar e atender à legislação, mas que não atenderão, ao longo do tempo, as necessidades de seu cão ou de seu gato.

Baixas quantidades de alguns ingredientes? Cuidado!

vitaminas para cães

  • Vitamina E –>  com função antioxidante, é preconizada para prevenir ou tratar várias doenças causadas pelo desgaste das células (esforço físico, poluição) e pelo envelhecimento (doenças cardiovasculares, catarata e doenças neurológicas degenerativas).
  • Vitamina B1 –> você poderá encontrá-la também apresentada como o nome de Tiamina. A sua falta é a causa de uma doença milenar em humanos, o beribéri, que também pode acometer cães e gatos que não tenham a ingestão adequada da Vitamina B1 ou da Tiamina. A sua falta, além do beribéri, pode abrir portas para doenças neurodegenerativas e cardíacas.
  • Vitamina B3 –> você poderá identificá-la também como Niacina. Como todas as vitaminas do complexo B, a Niacina contribui para evitar doenças dermatológicas e promover uma pelagem sadia.
  • Vitamina B6 –> você poderá encontrá-la também com o nome de Piridoxina. A carência da Vitamina B6 pode resultar em anomalias nervosas, sanguíneas e problemas dermatológicos.
  • Manganês –> embora sua quantidade requerida seja baixa, sua falta pode ocasionar problemas para a qualidade dos ossos e da cartilagem, principalmente para filhotes de cães e gatos e animais seniores que sofram de artrose.
  • Selênio–> um mineral antioxidante que auxilia no combate ao estresse oxidativo que pode ser causa do câncer e de doenças inflamatórias. Novamente, a quantidade requerida é baixa, mas sua falta pode causa danos graves para a saúde e qualidade de vida de seu cão ou gato.

 

BARF: uma dieta crua para seu pet. É bom para nossos cães?

dieta crua barf
BARF é, resumidamente, uma dieta crua para cães e gatos

Luiz Antonio Santos, Editor

BARF: em um primeiro momento, alguns sentem repulsa. Depois, são convencidos de que a natureza é sábia e que, segundo os defensores do conceito, estaríamos alimentando nossos cães, há algumas décadas, de maneira errada e cometendo uma violência contra os hábitos inerentemente carnívoros dos peludos. A dieta crua BARF, que significa Bone And Raw Food ou Biologically Appropriate Raw Food, traz alimentos à base de carne e vegetais para pets e conceitua que grãos podem acarretar problemas de saúde para nossos cães.

O presidente  da Nutrition Solutions, Dr. George Collings, PhD em nutrição humana e animal, avalia a ‘onda’ do conceito BARF afirmando que nutrição para pets não é questão de forma de entrega, mas de conteúdo. “A biodisponibilidade de nutrientes, o balanço nutricional e o enriquecimento são a chave para a saúde e bom desempenho a longo prazo”, afirma o cientista.

O que compõe a BARF

BARF é geralmente composta por 1/4 de vegetais e os 3/4 restantes são ossos com carne e carnes como pescoço, dorsos, asas e vísceras de aves, cauda de bois, pescoços de cordeiro e partes de suínos e de coelhos, além de ovos e peixes, todos crus.

Como surgiu o conceito da dieta BARF

O agrônomo e veterinário australiano, Dr. Ian Billinghurst, se não for o conceituador da dieta BARF é, certamente, o autor que mais defende os princípios da oferta de vegetais e carnes cruas para cães e gatos. Aqui, vale um parêntese. A indicação da dieta BARF também se aplica a humanos, conforme relatou o pesquisador em seu livro recente, de 2016, Pointing the Bone at Cancer.

BARF livro escrito por Ian Billinghurst
Livro de Ian Billinghurst sobre BARF e o câncer

No final dos anos 1980, Ian Billinghurst relacionou as dietas de seus pacientes caninos e felinos com o estado de saúde de cada um, concluindo que um programa de alimentação próximo às origens dessas espécies poderia promover e manter a sua saúde.

 Basicamente, Ian Billinghurst acredita que os animais domesticados não tiveram seus sistemas digestórios e organismos adaptados para alimentos diferentes dos de seus ancestrais.

Resultados da BARF, segundo o defensor

Com a dieta BARF, o pesquisador afirma que cães e gatos podem ter  redução de muitos problemas comuns de saúde como obesidade, artrites, alergias, doenças autoimunes, diabetes, inflamações e problemas gastrointestinais e renais.

Uma das primeiras mudanças com BARF, segundo Billinghurst, são a pele do animal mais saudável e um pelo brilhante. “Muitos pets terão mais energia e iniciativa para brincar ou interagir. Os donos certamente gostarão de outros benefícios como dentes mais saudáveis e um reduzido volume de fezes e de odor”, completa Billinghurst.

Negócios de Billinghurst vão de livros à carne de canguru

O conceito defendido pelo Dr. Ian Billinghurst transformou-se em um conjunto de negócios que envolve publicação de livros, venda de CDs de dietas e linha de refeições BARF congeladas, vendidas em vários pontos da Austrália, sob a marca Dr. ‘B’ BARF.

Na linha de produtos congelados para cães e gatos, destacam-se receitas completas com vegetais e vários tipos de carnes, conforme peso, idade e propensão ou problema de saúde. Entre as carnes oferecidas nas dietas prontas congeladas estão frango, peru e canguru.

Opinião do Dogblog

A principal linha de argumentação para substituir uma dieta a base de ração industrializada ou dieta caseira (como a chamada AN – Alimentação Natrual) por BARF é uma suposta ingestão de produtos naturais que seriam mais saudáveis e mais próximos da dieta dos ancestrais dos pets, com redução de doenças e eliminação de predisposições para deficiências.

AN – Alimentação Natural

Analisemos a AN, por exemplo. Consiste em oferecer dietas a base de carnes e vegetais cozidos, ovos, iogurte e alguns óleos. A grande falha dessa dieta é, muitas vezes, não haver recomendação para que o animal receba uma suplementação de vitaminas e minerais.

É falso o argumento de que em uma variedade de carnes e vegetais, o animal encontrará todas as vitaminas e minerais que são importantes para o presente e poderão causar deficiências no futuro. Não há contraindicação alguma para a Alimentação Natural quando um nutricionista analisa variáveis como raça, idade, peso do animal e a dieta em si e formula ou prescreve uma quantidade diária de suplemento vitamínico mineral.

Ração industrializada

Quando uma ração ou alimento completo, como é o seu nome oficial, não traz em sua formulação conservantes artificiais como Etoxiquim, BHA ou BHT e possui uma baixa quantidade de carboidratos e o seu enriquecimento (veja post sobre essa importante fonte de informação que os fabricantes têm obrigação de divulgar nas embalagens) traz quantidades de vitaminas, minerais, ácidos graxos (ômegas 3 e 6) e de ingredientes funcionais que atendam à necessidade dos cães e gatos.

Uma das fontes mais usadas no mundo para estabelecer as necessidades das quantidades diárias de cada nutriente indispensável para nossos pets é o compêndio Nutrient Requirements of Dogs and Cats, publicado pelo NRC – National Research Council of the National Academies, Washinton, EUA.

BARF

Por um lado, os ingredientes propostos para uma dieta BARF seriam adequados, considerando-se sempre que eles jamais conseguirão prover todas as vitaminas e minerais de que os peludos precisam. Portanto, BARF sem suplementação particularizada para cada animal não trará benefícios, ao longo do tempo, como divulga-se.

Adicione-se a essa necessidade de suplementação, os cuidados para com a manipulação e ingestão de carnes e ovos crus. Microorganismos como a bactéria E.coli e a salmonela são somente eliminados ou sua ação prejudicial fica anulada com o alimento cozido (qualquer tipo de cocção ou fritura) a, pelo menos, 70 graus centígrados.

Os riscos da BARF, no que tange à contaminação,  ainda são um questionamento não respondido adequadamente pelos estudiosos e defensores desta dieta.

Referências para saber mais