8 dicas de como escolher ração

Luiz Antonio Santos, Editor

Como escolher a ração do seu cão ou gato sem errar? Vamos partir do ponto que você se convenceu a oferecer ração para seu cão ou gato, deixando de optar por outras dietas como a caseira, BARF ou úmida. Você pode ler sobre nutrição BARF no post http://dogblog.com.br/barf-racao/

Esse post tem o objetivo de lhe fornecer um guia prático e rápido sobre o que considerar quando for comprar ração para seu pet. Escolhas objetivas de ração farão com que seu pet tenha o melhor em nutrição e, consequentemente, em desenvolvimento e saúde.

Vamos aos 8 pontos que lhe permitirão tomar uma decisão racional e benéfica para a ração do seu pet!

1 – Leia o rótulo 

A leitura das informações do pacote de ração é o primeiro passo para você selecionar o alimento para seu cão ou gato.

Eu escrevi sobre as seções padronizadas que aparecem nas embalagens de ração e o que significam. Leia: http://dogblog.com.br/racao-embalagem/

2- CONFIRA A PROTEÍNA DA RAÇÃO

O mais importante é saber as quantidades dos aminoácidos da proteína, mas a Proteína Bruta é uma referência. O mínimo recomendado para cães filhotes ou gestantes são 22% ou 22 g de proteína por quilo. Para cães adultos, 18% ou 18 g de proteína são o mínimo para a manutenção do animal.

Já para gatos, um filhote precisa de no mínimo 30% ou 30 g de proteína por quilo de alimento e um gato adulto de 26% ou 26 g.

Eu escrevi sobre necessidade de proteínas que um cãe de grande porte precisa para sua manutenção. Considere isso antes de adquirir ração para cães de raças grandes. Saiba mais: http://dogblog.com.br/racao-para-caes-racas-grandes/

3- confira o aproveitamento da proteína

Mais importante que o número percentual de proteína adicionada a uma ração é a fonte (origem) desse nutriente e as quantidades de aminoácidos.

Proteínas de fontes vegetais como milho, soja, sorgo, arroz têm aproveitamento menor, quando comparadas a algumas proteínas de origem animal.

Proteínas de fonte animal: carne, farinha de carnes, farinha de vísceras, farinha de sangue, farinha de pena.

As com melhor aproveitamento e presença dos aminoácidos essenciais: carne fresca e farinha de vísceras.

Dica: ração para gatos precisa ter o aminoácido Taurina. Um ponto a ser observado quando for escolher rações para gatos é a inclusão do aminoácido taurina. É um elemento essencial para a saúde de cães e gatos. Como os gatos não podem produzi-la, eles dependem da sua ingestão na alimentação. Funções para o organismo do gato:  prevenir doenças da visão e auxiliar na função reprodutiva., Também oferece proteção contra os radicais livres, sendo importante para retardar o envelhecimento.

4- CUIDADO COM O EXCESSO DE GORDURA

Dica: para conhecer quantidade de gordura da ração, procure na embalagem do produto o nível de ‘Extrato Etéreo” (gordura). 

As indústrias costumam “caprichar” e fornecer mais gordura por quilo do que o animal realmente necessita. A gordura torna o alimento mais atrativo e pode esconder aroma ou gosto de ingredientes que, normalmente, não seria apreciados pelo cães ou gatos.

Recomendação mínima de gordura em alimento completo para cães: filhotes ou gestantes 8% e adultos 5%. Recomendação para alimentos para gatos: filhotes e adultos: 9% ou 9 g de gordura por quilo de alimento completo.

Excessos podem levar o cão ou gato a sobrepeso e, futuramente, à obesidade.

5- veja se aparece o símbolo de conteúdo transgênico

A legislação brasileira obriga a menção a grãos ou outros ingredientes transgênicos (geneticamente modificados) com a sinalização de um triângulo amarelo com a letra T, sempre que esse conteúdo ultrapassar 1% do total de ingredientes do produto.

Rações Super Premium não deveriam trazer ingredientes transgênicos em sua composição. Porém, 90% desses produtos, que são os mais caros e que, teoricamente, deveriam incorporar tudo o que tem de melhor na ciência da nutrição, ainda usam milho ou soja como fonte de proteína nos alimentos para cães e gatos.

Dica: não há conceitos definitivos sobre o perigo ou não dos alimentos geneticamente modificados (transgênicos). No Brasil, o IDEC – Instituto de Defesa do Consumidor publicou um guia e emitiu sua opinião: https://bit.ly/2M50Ms4

6- rejeite rações com conservantes químicos como bha e bht

Rações  classificadas como Super Premium não deveriam ser conservados com antioxidantes como BHA , BHT ou Etoxiquim. A literatura técnica atribui a esses aditivos um potencial carcinogênico (predisposição ao câncer) e alergênico.

Melhor optar por rações que usam como antioxidantes as vitaminas C, E e extratos de ervas.

7- veja se há armadilhas ou alegações enganosas no rótulo da ração

Embora o rótulo das rações possa lhe dar uma boa massa de informação para você começar a avaliar qual o produto mais adequado para seu cão  ou gato, algumas indústrias usam expedientes não muito éticos.

Citar algum ingrediente de impacto positivo mas que, na verdade, está presente em pequenas frações na ração, não podendo promover os benefícios ou apresentar as propriedades esperadas é uma das armadilhas.

As alegações (claims) mais comuns e que merecem uma análise são:

Ômega 3 – verificar se a fonte desse ácido graxo é animal ou vegetal. As quantidades de EPA e DHA são a informação mais importante para saber se o ômega 3 pode proporcionar os resultados desejados para o cão ou gato.

Carne fresca – pouquíssimas indústrias estão preparadas para usar carne fresca na fabricação de rações. Há algumas que incluem de 1% a 2% de carne in natura resfriada, carne congelada ou carne mecanicamente separada CMS.

Vegetais – no geral é uma forma enganosa de justificar grandes quantidades de soja, milho e farelos que estariam melhor caracterizados como grãos e não como vegetais.

Frutas – fotos de frutas tentam associar recomendações alimentares de humanos e, muitas vezes nas rações não representam nem 1% do conteúdo e, portanto, pouco ou nada podem proporcionar de benefício ao cão ou gato.

Dica: se houver dúvidas quanto à total veracidade de algumas declarações na embalagem da ração, você pode nos enviar uma foto e resumir sua dúvida. Analisaremos e publicaremos no Dogblog.http://dogblog.com.br/contato/

8- Confira da data de fabricação e a validade

Embora um produto Super Premium deva ter, no mínimo, 12 meses de garantia de validade para consumo, alguns chegam a oferecer 15 meses. Nada, por outro lado, como ter um produto fabricado mais recentemente.

Dica: nas lojas, tente buscar pelos pacotes que ficam atrás dos produtos expostos. Geralmente são os de fabricação mais recente.

Você é fiel à marca de ração ou quer ingredientes novos para o seu pet?

Nos EUA, as gerações de millenials e Z não estão dando importância às marcas de ração e sim aos ingredientes, origem e funcionalidades.

Luiz Antonio Santos, Editor

A Revista Petfood Industry publicou na sua edição de março de 2019 uma matéria chamando a atenção para a queda de um mito na área de alimentação para pets: a fidelidade à determinada marca não existe mais ou não é tão importante para 85% dos tutores de cães e gatos.

Uma explicação para esse fato, segundo a Petfood Industry, é que a maior parte dos tutores atualmente são os millenials (pessoas com idades entre 23 e 45 anos) e a geração Z (nascidos a partir de 1997 e, portanto, com idade até 22 anos), grupos etários com diferente forma de ver o mundo e que privilegia saúde, conhecimento de ingredientes e avanços científicos e estudos que comprovem eficácia e benefícios de alimentos para seus pets.

Conte-nos como você está lidando com essa questão de marca de ração. Ela tem importância para você? O que você privilegia na escolha de um alimento para seu cão ou gato?

  1. Ingredientes
  2. Origem dos ingredientes
  3. Aceitação do pet
  4. Inclusão de ingredientes integrais
  5. Inclusão de ingredientes naturais
  6. Uso de ingredientes com função para melhoria da saúde

Comente ou indique pelos números quais os pontos que você considera e prepararemos matérias esclarecedoras sobre esses assuntos para o dogblog.com.br

Cuidado: cereais com fungos em rações podem matar nossos pets

Luiz Antonio Santos, Editor

Particularmente, defendo os alimentos completos para cães e gatos (rações industrializadas) livres de grãos transgênicos mais por receio da possibilidade dos grãos carregarem fungos letais do que exatamente pela transgenia.

Considero injusto pagar por uma ração de categoria Super Premium e trazer para casa um alimento com potencial de risco para meus pets, ou seja, com cereais como milho, arroz, sorgo ou cevada em sua formulação. Defendo que um produto para ter o rótulo de Super Premium deveria, no mínimo, ter 100% de sua proteína de origem animal e ser conservado com antioxidantes não agressivos (tocoferóis, chá verde, vitamina C) e não com produtos como o BHA e o BHT.

Bem, essa é particularmente minha posição.

Abaixo, gostaria de discorrer sobre um potencial perigo que trazemos para casa quando chegamos com um pacote de ração para nossos queridos cães e gatos. Trata-se da possibilidade de contaminação do alimento causada por fungos no milho, arroz ou em algum outro cereal usado na produção da ração.

Esse risco, naturalmente, eleva-se quanto mais barata for a matéria prima da ração. Assim, uma ração com preço muito mais baixo que as outras da mesma categoria traz uma maior possibilidade de ter sido produzida usando milho, arroz ou outro cereal de baixa qualidade.

‘Venenos’

As rações que têm milho em sua formulação podem funcionar como desencadeadoras de alergias por conta de insetos, ácaros e fungos contaminantes.

No entanto, o maior perigo para qualquer animal de estimação está no potencial de ingerir os ‘venenos’ produzidos pelos próprios fungos. Estes ‘venenos’ são conhecidos como micotoxinas.

Dentre as micotoxinas, a aflatoxina é produzida, principalmente, por dois fungos (bolores) que se desenvolvem sobre muitos produtos agrícolas e alimentos quando as condições de umidade do produto, umidade relativa do ar e temperatura ambiente são favoráveis.

Outras micotoxinas que são encontradas no milho, arroz, cevada e outros cereais:

  • vomitoxina
  • zearalenona
  • ocratoxina
  • fumonisina

O que acontece com o cão ou gato que ingere ração contaminada por aflatoxinas?

Aflatoxicose é o nome da doença causada pelo consumo de comida contaminada com aflatoxinas. Esta doença propaga-se principalmente em lugares com altos índices de umidade, onde os alimentos, especialmente os cereais, podem se contaminar com fungos.

O órgão mais afetado é o fígado. Os danos a este órgão produzem uma quantidade de sintomas que dependem de diferentes fatores.

 Os sintomas da intoxicação aguda por aflatoxina incluem:

  • febre
  • icterícia (olhos e pele amarelados)
  • urina escura
  • vômitos violentos e persistentes
  • diarreia com sangue

Uma vez que a aflatoxina entre no corpo de um cachorro, pode causar sérios danos às células do fígado. Não há antídoto e nenhuma cura conhecida.

Além disso, a exposição prolongada a pequenas quantidades de aflatoxina pode levar a uma forma mortal de câncer hepático.

Perigo real: em 2005, cães morreram nos EUA

Estes são os mesmos sintomas que afetaram e mataram tantos cães inocentes em 2005 e provocaram um recall de emergência pela indústria Diamond Pet Foods de Gaston, Carolina do Sul.

A Diamond Pet Foods embarcou os produtos contaminados internamente para os Estados Unidos e para mais 29 países ao redor do mundo.

Nenhum antídoto

Uma vez que a aflatoxina entre no corpo de um cachorro, pode causar sérios danos às células do fígado. Não há antídoto e nenhuma cura conhecida.

Além disso, a exposição prolongada a pequenas quantidades de aflatoxina pode levar a uma forma mortal de câncer hepático.

Quando já se sofrem os efeitos das aflatoxinas, a primeira coisa que devemos fazer é suprimir a ingestão do alimento contaminado; além disso, devemos começar um tratamento sintomático. Isto é, só se administram medicamentos para reduzir os sintomas ou mal-estar produzidos pela doença. Vale destacar que os antibióticos não têm nenhum efeito sobre as aflatoxinas.

Mais más notícias

Embora cozinhar possa matar os ácaros e fungos, não tem efeito sobre o próprio veneno. Assim, as micotoxinas mantêm sua potência perigosa mesmo depois de serem extrusadas (cozidas) sob altas temperaturas.

Algumas dicas

  • Se possível, prefira uma ração sem milho, cevada ou subprodutos de cereais como farelos. Em tempo: rações com milho não estarão obrigatoriamente contaminadas se o controle de qualidade for confiável. Se você confia no fabricante não há motivo para pânico!
  • Armazene o produto em uma área livre de umidade
  • Nunca descarte a embalagem original. A embalagem contém número de lote e dados de fabricação que você precisará no caso de uma emergência de recall
  • Os grãos e cereais que costumam se contaminar mais comumente são o arroz, a cevada, o centeio, o milho, o amendoim, as nozes, as sementes de algodão e o sorgo. Os fatores que mais influenciam nisso são o volume de água, a umidade e a temperatura do grão.

Entenda a embalagem de ração do seu pet

Luiz Antonio Santos, Editor

A indústria de ração para cachorros e gatos representa, globalmente, mais de 60% das receitas do segmento Pet. Sendo a categoria mais disputadas, é natural que a batalha por novos consumidores e pelo convencimento de seus tutores seja árdua, complicada e, muitas vezes, com o uso de argumentos não verdadeiros ou que induzem a um pensamento errado.

consumidor de ração para cães
Checar a lista de enriquecimento: um hábito a se adotar

Esta série de posts Entenda a Embalagem de Ração do seu Pet vai mostrar quais as armadilhas que as indústrias usam, algumas vezes, para levar o tutor a conclusões equivocadas, mesmo com a intenção de oferecer o melhor para seus queridos pets.

O primeiro post é sobre algo muito importante a ser verificado nas embalagens de ração: a informação denominada Enriquecimento.

Ração tem que trazer informação sobre enriquecimento

A declaração do enriquecimento de uma ração para cães ou gatos é obrigatória no Brasil, tanto para alimentos fabricados localmente quanto para os importados. É nesse bloco de informação obrigatória, conforme a Instrução IN 30 do MAPA – Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, que devem constar as vitaminas, os minerais e outros ingredientes funcionais presentes no produto, bem como a quantidade por quilo.

A quantidade de vitaminas e minerais é adequada?

Bem, uma vez que os ingredientes estão descritos e suas quantidades por quilo explicitadas, a pergunta para quem quer o melhor para seus queridos pets é: Todas as vitaminas e minerais que meu animal precisa estão presentes e em quantidades que atendam as suas necessidades?

A necessidade nutricional de um cão ou de um gato é estabelecida, principalmente, por dois órgãos internacionais de ciência: o NRC – National Research Council http://www.nationalacademies.org/nasem/e a AAFCO – Association of American Feed Control Officials https://www.aafco.org/

Fique sempre atento (a) às quantidades de ingredientes mais caros da formulação como são os casos da vitaminas E, B1, B3, B6 e os minerais Manganês e Selênio. Há indústrias que adicionam quantidades mínimas, somente para constar e atender à legislação, mas que não atenderão, ao longo do tempo, as necessidades de seu cão ou de seu gato.

Baixas quantidades de alguns ingredientes? Cuidado!

vitaminas para cães

  • Vitamina E –>  com função antioxidante, é preconizada para prevenir ou tratar várias doenças causadas pelo desgaste das células (esforço físico, poluição) e pelo envelhecimento (doenças cardiovasculares, catarata e doenças neurológicas degenerativas).
  • Vitamina B1 –> você poderá encontrá-la também apresentada como o nome de Tiamina. A sua falta é a causa de uma doença milenar em humanos, o beribéri, que também pode acometer cães e gatos que não tenham a ingestão adequada da Vitamina B1 ou da Tiamina. A sua falta, além do beribéri, pode abrir portas para doenças neurodegenerativas e cardíacas.
  • Vitamina B3 –> você poderá identificá-la também como Niacina. Como todas as vitaminas do complexo B, a Niacina contribui para evitar doenças dermatológicas e promover uma pelagem sadia.
  • Vitamina B6 –> você poderá encontrá-la também com o nome de Piridoxina. A carência da Vitamina B6 pode resultar em anomalias nervosas, sanguíneas e problemas dermatológicos.
  • Manganês –> embora sua quantidade requerida seja baixa, sua falta pode ocasionar problemas para a qualidade dos ossos e da cartilagem, principalmente para filhotes de cães e gatos e animais seniores que sofram de artrose.
  • Selênio–> um mineral antioxidante que auxilia no combate ao estresse oxidativo que pode ser causa do câncer e de doenças inflamatórias. Novamente, a quantidade requerida é baixa, mas sua falta pode causa danos graves para a saúde e qualidade de vida de seu cão ou gato.