BARF: uma dieta crua para seu pet. É bom para nossos cães?

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BARF é, resumidamente, uma dieta crua para cães e gatos

Luiz Antonio Santos, Editor

BARF: em um primeiro momento, alguns sentem repulsa. Depois, são convencidos de que a natureza é sábia e que, segundo os defensores do conceito, estaríamos alimentando nossos cães, há algumas décadas, de maneira errada e cometendo uma violência contra os hábitos inerentemente carnívoros dos peludos. A dieta crua BARF, que significa Bone And Raw Food ou Biologically Appropriate Raw Food, traz alimentos à base de carne e vegetais para pets e conceitua que grãos podem acarretar problemas de saúde para nossos cães.

O presidente  da Nutrition Solutions, Dr. George Collings, PhD em nutrição humana e animal, avalia a ‘onda’ do conceito BARF afirmando que nutrição para pets não é questão de forma de entrega, mas de conteúdo. “A biodisponibilidade de nutrientes, o balanço nutricional e o enriquecimento são a chave para a saúde e bom desempenho a longo prazo”, afirma o cientista.

O que compõe a BARF

BARF é geralmente composta por 1/4 de vegetais e os 3/4 restantes são ossos com carne e carnes como pescoço, dorsos, asas e vísceras de aves, cauda de bois, pescoços de cordeiro e partes de suínos e de coelhos, além de ovos e peixes, todos crus.

Como surgiu o conceito da dieta BARF

O agrônomo e veterinário australiano, Dr. Ian Billinghurst, se não for o conceituador da dieta BARF é, certamente, o autor que mais defende os princípios da oferta de vegetais e carnes cruas para cães e gatos. Aqui, vale um parêntese. A indicação da dieta BARF também se aplica a humanos, conforme relatou o pesquisador em seu livro recente, de 2016, Pointing the Bone at Cancer.

BARF livro escrito por Ian Billinghurst
Livro de Ian Billinghurst sobre BARF e o câncer

No final dos anos 1980, Ian Billinghurst relacionou as dietas de seus pacientes caninos e felinos com o estado de saúde de cada um, concluindo que um programa de alimentação próximo às origens dessas espécies poderia promover e manter a sua saúde.

 Basicamente, Ian Billinghurst acredita que os animais domesticados não tiveram seus sistemas digestórios e organismos adaptados para alimentos diferentes dos de seus ancestrais.

Resultados da BARF, segundo o defensor

Com a dieta BARF, o pesquisador afirma que cães e gatos podem ter  redução de muitos problemas comuns de saúde como obesidade, artrites, alergias, doenças autoimunes, diabetes, inflamações e problemas gastrointestinais e renais.

Uma das primeiras mudanças com BARF, segundo Billinghurst, são a pele do animal mais saudável e um pelo brilhante. “Muitos pets terão mais energia e iniciativa para brincar ou interagir. Os donos certamente gostarão de outros benefícios como dentes mais saudáveis e um reduzido volume de fezes e de odor”, completa Billinghurst.

Negócios de Billinghurst vão de livros à carne de canguru

O conceito defendido pelo Dr. Ian Billinghurst transformou-se em um conjunto de negócios que envolve publicação de livros, venda de CDs de dietas e linha de refeições BARF congeladas, vendidas em vários pontos da Austrália, sob a marca Dr. ‘B’ BARF.

Na linha de produtos congelados para cães e gatos, destacam-se receitas completas com vegetais e vários tipos de carnes, conforme peso, idade e propensão ou problema de saúde. Entre as carnes oferecidas nas dietas prontas congeladas estão frango, peru e canguru.

Opinião do Dogblog

A principal linha de argumentação para substituir uma dieta a base de ração industrializada ou dieta caseira (como a chamada AN – Alimentação Natrual) por BARF é uma suposta ingestão de produtos naturais que seriam mais saudáveis e mais próximos da dieta dos ancestrais dos pets, com redução de doenças e eliminação de predisposições para deficiências.

AN – Alimentação Natural

Analisemos a AN, por exemplo. Consiste em oferecer dietas a base de carnes e vegetais cozidos, ovos, iogurte e alguns óleos. A grande falha dessa dieta é, muitas vezes, não haver recomendação para que o animal receba uma suplementação de vitaminas e minerais.

É falso o argumento de que em uma variedade de carnes e vegetais, o animal encontrará todas as vitaminas e minerais que são importantes para o presente e poderão causar deficiências no futuro. Não há contraindicação alguma para a Alimentação Natural quando um nutricionista analisa variáveis como raça, idade, peso do animal e a dieta em si e formula ou prescreve uma quantidade diária de suplemento vitamínico mineral.

Ração industrializada

Quando uma ração ou alimento completo, como é o seu nome oficial, não traz em sua formulação conservantes artificiais como Etoxiquim, BHA ou BHT e possui uma baixa quantidade de carboidratos e o seu enriquecimento (veja post sobre essa importante fonte de informação que os fabricantes têm obrigação de divulgar nas embalagens) traz quantidades de vitaminas, minerais, ácidos graxos (ômegas 3 e 6) e de ingredientes funcionais que atendam à necessidade dos cães e gatos.

Uma das fontes mais usadas no mundo para estabelecer as necessidades das quantidades diárias de cada nutriente indispensável para nossos pets é o compêndio Nutrient Requirements of Dogs and Cats, publicado pelo NRC – National Research Council of the National Academies, Washinton, EUA.

BARF

Por um lado, os ingredientes propostos para uma dieta BARF seriam adequados, considerando-se sempre que eles jamais conseguirão prover todas as vitaminas e minerais de que os peludos precisam. Portanto, BARF sem suplementação particularizada para cada animal não trará benefícios, ao longo do tempo, como divulga-se.

Adicione-se a essa necessidade de suplementação, os cuidados para com a manipulação e ingestão de carnes e ovos crus. Microorganismos como a bactéria E.coli e a salmonela são somente eliminados ou sua ação prejudicial fica anulada com o alimento cozido (qualquer tipo de cocção ou fritura) a, pelo menos, 70 graus centígrados.

Os riscos da BARF, no que tange à contaminação,  ainda são um questionamento não respondido adequadamente pelos estudiosos e defensores desta dieta.

Referências para saber mais